"Poderosa,
atrevida, ninguém se mete mais na minha vida", canta e grita Wanessa há
exatos oito anos, desde que o single "Amor, amor", carro-chefe do CD
"W", foi lançado. Mas foram quase os mesmos oito anos para que o poder e
o atrevimento autointitulados fossem, finalmente, comprovados. A
cantora que, desde o início da carreira flertava com o pop, mas também
com a música romântica e, por que não, sertaneja, gravou o DVD ao vivo
da DNA Tour e coroou os pockets-shows que realiza em boates voltadas ao
público gays desde 2009.
Nesta sexta, a DNA Tour volta à capital mineira,
dois meses após o show da cantora em BH, no Dia Mundial de Luta Contra a
Homofobia, em 17 de maio. O Muza conferiu o último show e pode
comprovar que, quando Wanessa nos disse, em 2012, que precisava de
palcos maiores para fazer shows com tudo o que podia e devia, ela tinha
razão. Wanessa Camargo, hoje Wanessa, cresceu, apareceu e se consolidou
como o principal nome da música pop nacional. E não fica devendo quase
nada às muzas internacionais que, obviamente, a inspiram e,
definitivamente, nada ao público da sonoridade pop . No novo show ela
transforma o palco um imenso "queijo de boate" e a plateia em pista. O
resultado? "Uh-uhu, ai, ai, ai", como gritam os fãs dela, agora muza e colega de balada. Sabe quando ela gritou que era "Poderosa, atrevida"? Nós deveríamos ter acreditado.
Muza: Wanessa, como foi se apresentar em BH em uma data tão simbólica quanto o Dia Mundial de Luta Contra a Homobofia, tem um gosto especial?
Wanessa: Sem
dúvida! Meu grande público é LGBT, então, assim, eu vi que estavam
muitos héteros ali, no meio, convivendo com aquela diversidade e eu
fiquei tão feliz de ver esta mistura, as pessoas se sentindo à vontade.
Fiquei feliz, realmente, de ver as pessoas se sentindo felizes e à
vontade para se amarem para expressarem seu carinho ao outro e não serem
repreendidas. E eu quero que os meus shows sejam assim, um show no qual
as pessoas possam ser quem elas são, não tem que se esconder atrás de
nada. Aqui, rola o respeito, rola a sinceridade, a verdade, e que bom
que a gente conseguiu fazer isso assim. A minha ideia é crescer cada vez
mais com esse tipo de evento e que vire uma grande festa, sabe? Foi
isso que eu senti, que o show virou uma grande festa.
Muza: Chegou ao
Muza a informação de que você pretende começar a fazer shows com outras
cantoras de música eletrônica brasileira...
Wanessa: Sim! É
fazer um pouco do que eu fiz aqui, só que maior. Este show aqui, em BH, a
gente trouxe o conceito de festa. Em São Paulo e Rio foi um pouco
mais... um pouco mais, é... esqueci a palavra! Odeio quando acontece
isso. Hum... tradicional. É convencional! (risos) As pessoas estavam
assim, né, esperando, dançando e tudo, mas mais convencional, aqui em BH
não, aqui foi o clima de festa. Eu senti as pessoas nas músicas
românticas se abraçando, beijando seu amado, e curtindo, e a galera
fazendo rodinha com a turma, não necessariamente eles estavam olhando
para o palco o tempo inteiro! Então, isso foi muito gostoso, uma festa.
Não quero que as pessoas fiquem me olhando e "ai, que legal ela!", a
ideia é que eu consiga fazer com que eles se transportem para uma
alegria, para um amor, que eu traga essa emoção.
Muza: Wanessa, então menos Diva e mais colega de balada?
Wanessa: Ah... eu gosto de diva também! Ah! (risos)
Muza: Então, você é a Diva-colega-de-balada?
Wanessa: É! Eu sou,
aquela amiga, sabe?! Eu gosto! É porque eu tenho esse show que traz
esse formato, essa produção, eu quero continuar fazendo isso,
trabalhando com o cenário, com a música ao vivo, com o balé, com essa
parte mais teatral, eu acho isso muito legal, com figurino e tal. Mas eu
quero que seja um show que tenha um evento, que traga novos talentos ou
a galera também já conceituada da música eletrônica, DJs, tudo. Igual a
Nicky Valentine em São Paulo, a Dani (Morais) aqui. A ideia é que
depois do meu show, por que não ficar até as quatro da manhã e nesse dia
a balada é aqui? Aí, tem meu show, tem uma grande festa?
Muza: Na última entrevista que você concedeu ao Muza
a gente pegou bem essa transição da boate para o show e agora você já
tá falando do show para um festival. As ideias não param. Como que tá
esse processo, já tem algo engatinhado?
Wanessa: Então,
esse projeto agora, eu continuo fazendo estrada-balada, isso não muda.
Faço meus shows também diferentes, tem outros formatos. Vai fazer uma
feira agropecuária? Tem um formato! Vai fazer de repente uma festa de
prefeitura? É um outro formato! Vai fazer para uma empresa? É outro! Vai
fazer para a balada? Depende muito do palco, do tamanho, do
contratante. Mas o que eu quero muito fazer é aliar... Este show é o meu
xodó, ele com essa estrutura toda, eu quero fazer mais ele, eu acho que
agora é um começo, eu comecei a divulgar meu DVD agora, eu vou fazer
TV, vou fazer mais rádio... então, eu acho que as pessoas vão começar a
conhecer o trabalho a partir daí. E, quem sabe, ajuda até a fazer o
evento em outras capitais.
Muza: Wanessa, nós vimos no Instagram você com a Anitta. Tem ideia de alguma parceria... algum "pre-para" entre as duas?
Wanessa: Não... Mas
eu curti muito! "Pre-para!", eu fico dançando! Acho ótimo, acho ela
abusada. Eu fui assistir o show e achei ela ótima, abusada,
afinadíssima, canta muito bem e a gente tem que torcer pelas mulheres,
sabe? Eu acho errado essa coisa de desejar que o outro tenha menos
sucesso do que você, sabe? Essa coisa "ai e nãnãnã". Tanto que eu chamei
as meninas para juntar força, entendeu? A Nicky, a Natália (Damini), a
Dani, sabe? É enaltecer o trabalho. Você vê aí, só banda, banda, banda, e
dupla sertaneja e banda. E as mulheres?
Muza: Quando você começou com aquela turma adolescente, você...
Wanessa: Tão todos aqui!
Muza: Pedro e Thiago, KLB...
Wanessa: Ah, tá! Não tá falando dos fãs.
Muza: Não, os fãs continuam!
Wanessa: É, todos cresceram e continuam me acompanhando, muito legal.
Muza: Agora os
artistas, os grandes ícones, permaneceram você e Sandy. O que você? Por
quê? Souberam mudar na hora certa? Investir em um outro foco?
Wanessa: Eu não
sei... pode ser! Uma maturidade, se você acompanhar. Ah! O Junior tá
indo muito bem também, viu? O Junior tá fazendo Rock in Rio com Dexters e
conseguiu fazer um formato muito legal para ele, porque ele é músico.
Muza: É, mas vocês três mudaram, né?
Wanessa: (riso)
Cada um foi para um lado! O Junior a gente tá meio que no eletrônico
também, mas o dele é mais instrumental, já vi show e tal é bem legal. E a
Sandy, que tem super a cara dela, que essa coisa de MPB, que a gente já
imaginava que ela ia para essa linha. Mas tem a Luiza, Luiza Possi, que
é super conceituada hoje, para esse mercado de MPB, a Lu faz shows em
casas fechadas, quer dizer... Talvez ela não esteja num programa mais
popular, na mídia o tempo todo, mas ela tem um público que cresceu, que
acompanha e respeita o trabalho dela. A gente cresce, né? A gente muda!
Muza: Um grande destaque do seu show é a dança, tem o envolvimento do Bryan Tanaka, que trabalhou com Rihanna, Beyoncé...
Wanessa: Tem a
Fernanda Fiúza também que é sensacional, que foi o braço direito do
Bryan, tem várias que são delas, Stuck on repeat é dela, Stick Dough é
dela também, dela com a Amanda Angel. O Bryan fez as novas e a direção,
mas ela também montou. DNA é do Bryan, Shine it on é do Bryan, mas a Fê
tava com a gente o tempo inteiro e ela arrasa. Eu acho legal que foi
essa junção do Bryan junto com a Fê, fizeram bem, tem uma linguagem
parecida.
Muza: No show
você mescla músicas antigas em português com novas em inglês. Por um
acaso pode se esperar algo deste tipo em um novo CD?
Wanesssa: Eu não
cantei, mas tem uma inédita em português, minha com o Naldo, que eu não
fiz porque o Naldo não tá aqui, que é "Deixa rolar", que é uma música
que pode, possivelmente, ser de trabalho também e é em português, tem um
formato meio eletrônico também, a gente misturou, eu não gosto de nada
assim definido.
Muza: Mas já tem algo assim, de um novo disco, de repente...
Wanessa: Não, agora
não! Porque eu tenho muito trabalho com o DVD, mas eu não me ponho em
nenhum rótulo, em nenhuma caixinha pronta. Então, assim, cada trabalho é
uma inspiração, cada trabalho é um processo de inspiração, se rolar na
hora música em português, espanhol, inglês, o que for e que tenha a ver
comigo vai entrar! Eu não tenho essa de "ah, eu vou cantar agora só em
inglês" ou "ah, agora eu tenho que voltar para o português". Não! Eu vou
cantar aquilo que eu acredito porque quando eu for cantar eu preciso
passar verdade, eu preciso passar que eu amo aquilo que eu tô fazendo.
Muza: Wanessa,
você veio a BH com o show Era Uma vez, que era um musical, mas tinha uma
coisa meio pop - você fazia cover de Madonna - depois você voltou a BH
com o seu pai em um show....
Wanessa: Pai e Filha!
Muza: ...e agora você volta a BH com uma nova performance. Mas seu primeiro show já tinha uma coisa pop...
Wanessa: Sempre
tive um pouquinho, né? já tinha uma linguagem. Olha, foi natural, eu
fui ao longo do tempo experimentando coisas novas, cada vez, cada ano,
cada CD novo eu fui criando uma confiança, de mulher, de chegar e
começar "peraí!". Agora eu já conheço como que funciona fazer um
arranjo, já sei como é que constrói uma música, já posso participar
disso, já sei como que é uma mixagem, masterização, isso tudo, então eu
fui desenvolvendo junto com as pessoas e fui criando. Fui fazendo
música, conhecendo novos produtores de "vou fazer com você! Vamos fazer
um negócio juntos?". Então, isso foi muito natural e eu cheguei nesse
ponto no qual estou hoje, foi... natural!



